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quinta-feira, 6 de março de 2014

Das exíguas lágrimas

Emudeço. Não sou sujeito e não me proponho ser. Adiante vejo somente um desvio e começo o retorno, então paro, e volto. Pego o mesmo retorno e me vejo novamente na mesma linha de giz da qual tirei partes com a ponta do pé. Não há leitor, não há. É dissabor, é contrição, pesar.

E mesmo que minhas janelas sintam, aflijam-se. São exíguas as lágrimas, pó e a causa; o meu padecer é imensurável e extingue torrentes de pérolas sabor água do mar. O vento que assovia meus ouvidos é o sopro da boca que me beijava, o grito do corvo é a voz daquele que declarava e o sol nos meus olhos é sonho com resplandecente face.

Quiçá passaria, mesmo que de forma sem fôrma, euforia, e traça linhas e trança corpos e destrói receptáculos. E reata e sara e cura e será, será ilude?

Leitor, sou apenas. E só.


E agora?




Futari warutsu no you ni ne mawarinagara
Egakidashite yuku mono

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

De amor


      Vamos tentar regredir no tempo e analisar cada fato, cada momento e cada movimento. Leitor, mesmo que passemos dias e dias, noites, tardes, tempos e períodos, cada segundo nos muda, não somente por ser um novo segundo, novo ser, novas experiências, um porvir infinito, que, felizmente se encadeia, não é circular, mas por ter constantes que se entrelaçam dentre elos, fortes, fracos, de materiais diferentes, como num padrão extremado, que monta colcha, costura, linhas, na vida. Mesmo que cada instante seja único e infinito, esteticamente perfeito, sinceramente perfeito, o ser humano não dá conta da busca, não pela perfeição, pois, de diversos pontos de vista, já a tem, mas pela imperfeição. A imperfeição nos apresenta possibilidades, de destruição, de massificação, de comparação, e, especialmente, de alienação.

     Muito já falei da busca, dessa perseguição insana, talvez doentia, por uma plenitude. E quando o desfecho parece uno, vou apresentando as cartas guardadas do jogo, cartaz que não mudam nada, em sua essência, mas que exigem um momento de reflexão sobre elas, sobre os diversos porquês de existirem, sobre a não existência de cartas guardadas pelo outro jogador. Ou será, guardando mais uma carta, que o outro jogador não as apresentou ainda? Não acreditamos realmente nisso, leitor, mas a possibilidade de pensar sobre isso já a torna crível? Não tenho certeza.

       As argumentações surgem de diversas formas, e mesmo que haja uma explicação pra cada carta na manga e caída no chão, empurrada por braços descuidados na ausência de olhos sonolentos, pululam afirmações, bem feitas ou mal feitas? Sobre essas cartas. Não há muito que dizer e a escrita me escapa nesses momentos, pois ela ganha vida, esclarece. Torna-se luz. E eu pergunto às palavras o porquê da dimensão que assumem, como afirmar que, se eu pergunto sobre a existência de cartas na manga assim que apresento as que tenho, possam surgir cartas de onde supostamente não haviam?

      Existem diversas interpretações para afirmações e interrogações dessa natureza, mas o leitor convirá que todas podem ser respondidas com coisas simples, mas com dimensões de natureza ampla e, ao mesmo tempo, restrita. Pode ser que a única palavra nessa língua que descreva esse sentimento comum à humanidade esteja por trás de todas as cartas jogadas, rasgadas e que montaram jogos, e a resposta, são beijos.





I know you made your choice <3

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O dia perfeito





Talvez a resposta seja não procurar respostas. Essa poderia ser a resposta para a pergunta “Qual o sentido da vida?” Não? Leitor.. Esse é mais um dia quente entre os dias frios que vivi, frios em tudo, até nas cores que o sol irradia. Hoje não quero falar do sol, ele brilha constantemente e eu posso apreciá-lo diversas vezes, mas, como apreciar o sol? Há diversos motivos para, maneiras como, mas, alguma está correta? Sinto muito, leitor, também não sei a resposta dessa pergunta...

A lua apareceu. Aquela mesma que se escondeu, não mostrou o seu brilho simulado, não refletiu nem produziu, só esteve presente por atração... Ela apareceu, e foi num momento inesperado. As cores da tarde já se desenhavam entre tons de azul, rosa, ciano, amarelos e verdes, numa mistura obra prima... e o mar refletia o sol de forma tímida, como com medo de tocar... E a lua apareceu.. Grande, brilhante, com tons de branco, bege, amarelo e rosado.. rosado? Não, leitor, eu é que tenho visto rosa em tudo... problemas? Não sei, talvez sejam motivos diferentes, e bonitos como o rosa.

Refletia no mar, foi o que surpreendeu, roubou tento, e aqueceu o coração, será mesmo a lua? Talvez, apareceu no momento certo, anunciando, você sabe, leitor, a lua anuncia... o dia perfeito. Mas essa lua era um pouco mais sincera e intensa, essa lua, anunciava algo diferente de um só dia perfeito, não sei mensurar pois não vejo o futuro, só vejo dentro de mim e o 'momento já', que me escapa. Clarice, me ajuda a buscar meu 'momento já'? Escapou novamente..

Não importa, minha vida pode ser lida de forma radial, pois sou literatura enquanto me escrevo; meus 'momentos já' só nos são conhecidos, você, leitor, pode apreciar. Não consigo mais diferenciar minhas tintas, todas parecem tons de rosa.. mas.. por quê rosa? A lua continuou brilhando, e se foi, naquele dia, anunciando voltar em breve, corroborar, reiterar, reforçar o sentimento.

Dedico a alguém que tem amor no nome..



Tô numa fase Sandy & Junior.. '-'

sábado, 16 de abril de 2011

O calor da tua mão





Caro leitor, hoje, eu não gostaria de dar as habituais voltas, nem ser tão direto e claro como tenho me cobrado ser, talvez porque seja necessário tentar algo novo, me esconder nas palavras e me mostrar mais pessoalmente, ou talvez seja porque já o faço. Mudanças são sempre bem vindas, ou não? Não sei a resposta, e admitir não saber é como me propor sentir uma dor, me torturar novamente. Talvez pelas palavras que sempre me revelaram aqui, seja nas alegorias ou nas construções, eu não me fiz, eu só me escrevi. Fazer-me necessitaria de um pouco mais do que palavras, mas nem toda construção alegórica dá conta, ela sempre será caricatura. Alô, metáfora.

3.987.654.236,5 ¹² perguntas surgem na minha cabeça a cada segundo, humanamente impossível. Talvez eu deva me ater a alguma que eu possa responder, mas não, só me intriga a forma de chegar lá, não a chegada em si. Como é possível sentir tanta falta de alguém? Isso não pode ser respondido, alguém aí sabe? Leitor? Faço meia pergunta. Procuro contar estrelas e me pego pensando, em quê? Não, pergunta errada, em quem? Sinto medo.

Como medir a intensidade? Não me venham com fórmulas físicas, não me venham com balanças e aparato tecnológico, muito menos com baboseiras espirituais, não se pode mensurar sentimentos. Tenho a cabeça dura, eu sei. Mas mesmo que ela seja assim, não significa que é impenetrável, mas disso você já sabe. Preciso de ajuda, mas de uma ajuda específica, você sabe? Leitor? Peço socorro, mais uma vez.

Não é que eu queira me sentir mal, não, eu não preciso disso novamente. Nem sinto que o mal me acometa por estar longe, mas, mal me faz pensar nisso, pois aí a intensidade age, e vai corroendo. Conversa comigo? Não fique com essa expressão no rosto. Procuro um pouco mais do brilho, o meu apagou?

Compreendi, temos medo, ambos. Mas faz assim, eu seguro a sua mão e você segura a minha, podemos enfrentar isso juntos, ou, ao menos, tentar. Eu não largo, não afrouxo, corro se tu correr, choro se tu chorar, sinto o que tu sentir, mas, por favor, o que você sente? Eu penso demais nisso tudo, e essa é minha maldição; será que, como nos contos de fadas, um beijo resolve tudo? Ou essa seria só mais uma alegoria em que as ações é que fazem acontecer?

Ao mesmo tempo, não precisamos esperar um pelo outro...

Segura minha mão que eu seguro a tua.




Não lembro se já postei essa música, mas ela tá aí pra ilustrar tudo que eu disse :)