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quinta-feira, 6 de março de 2014

Das exíguas lágrimas

Emudeço. Não sou sujeito e não me proponho ser. Adiante vejo somente um desvio e começo o retorno, então paro, e volto. Pego o mesmo retorno e me vejo novamente na mesma linha de giz da qual tirei partes com a ponta do pé. Não há leitor, não há. É dissabor, é contrição, pesar.

E mesmo que minhas janelas sintam, aflijam-se. São exíguas as lágrimas, pó e a causa; o meu padecer é imensurável e extingue torrentes de pérolas sabor água do mar. O vento que assovia meus ouvidos é o sopro da boca que me beijava, o grito do corvo é a voz daquele que declarava e o sol nos meus olhos é sonho com resplandecente face.

Quiçá passaria, mesmo que de forma sem fôrma, euforia, e traça linhas e trança corpos e destrói receptáculos. E reata e sara e cura e será, será ilude?

Leitor, sou apenas. E só.


E agora?




Futari warutsu no you ni ne mawarinagara
Egakidashite yuku mono

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Subentendido


Sentimento azul e vermelho
De flores brancas e negras
Com seu vício em olhares
Subentende-se.

Sentimento inseto, abelha
Sobe, voa, paira
Dispara, produz
Desejos doces sem validade

Olha, enxerga palavras
Escuta, diz, grita
Tenta ler, porém recita

E o morrer? Como fica
Quem se lambuza
Subentende.



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

De amor


      Vamos tentar regredir no tempo e analisar cada fato, cada momento e cada movimento. Leitor, mesmo que passemos dias e dias, noites, tardes, tempos e períodos, cada segundo nos muda, não somente por ser um novo segundo, novo ser, novas experiências, um porvir infinito, que, felizmente se encadeia, não é circular, mas por ter constantes que se entrelaçam dentre elos, fortes, fracos, de materiais diferentes, como num padrão extremado, que monta colcha, costura, linhas, na vida. Mesmo que cada instante seja único e infinito, esteticamente perfeito, sinceramente perfeito, o ser humano não dá conta da busca, não pela perfeição, pois, de diversos pontos de vista, já a tem, mas pela imperfeição. A imperfeição nos apresenta possibilidades, de destruição, de massificação, de comparação, e, especialmente, de alienação.

     Muito já falei da busca, dessa perseguição insana, talvez doentia, por uma plenitude. E quando o desfecho parece uno, vou apresentando as cartas guardadas do jogo, cartaz que não mudam nada, em sua essência, mas que exigem um momento de reflexão sobre elas, sobre os diversos porquês de existirem, sobre a não existência de cartas guardadas pelo outro jogador. Ou será, guardando mais uma carta, que o outro jogador não as apresentou ainda? Não acreditamos realmente nisso, leitor, mas a possibilidade de pensar sobre isso já a torna crível? Não tenho certeza.

       As argumentações surgem de diversas formas, e mesmo que haja uma explicação pra cada carta na manga e caída no chão, empurrada por braços descuidados na ausência de olhos sonolentos, pululam afirmações, bem feitas ou mal feitas? Sobre essas cartas. Não há muito que dizer e a escrita me escapa nesses momentos, pois ela ganha vida, esclarece. Torna-se luz. E eu pergunto às palavras o porquê da dimensão que assumem, como afirmar que, se eu pergunto sobre a existência de cartas na manga assim que apresento as que tenho, possam surgir cartas de onde supostamente não haviam?

      Existem diversas interpretações para afirmações e interrogações dessa natureza, mas o leitor convirá que todas podem ser respondidas com coisas simples, mas com dimensões de natureza ampla e, ao mesmo tempo, restrita. Pode ser que a única palavra nessa língua que descreva esse sentimento comum à humanidade esteja por trás de todas as cartas jogadas, rasgadas e que montaram jogos, e a resposta, são beijos.





I know you made your choice <3

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Acerca da unidade do amor



É possível, leitor, que atualmente exista algo que seja puro, uno, e que não se contamine de vícios ou desagrados? Creio que não, e não só atualmente, nunca houve. É possível então, experienciar, vivenciar e gozar das inúmeras situações que isso nos proporciona? Creio que sim, e você, leitor? Será mesmo que o meu dúbio ser pode superar cada aspecto turvo que surgir, é possível sim, mas não sem ajuda, creio. E mesmo assim, minhas perguntas são o que mais plenificam, em mim, essa unidade.

Mas o leitor há de perguntar qual unidade de que falo, visto minha afirmação de não acreditar em algo que algo possa ser uno, não, leitor, não acredito em unidade pura, mas creio em unidade que se constitua a partir de múltiplos, sei que é complicado entender, ou não, mas todos os aspectos, bons ou ruins, são o que me despertam ou, reforçam esse sentimento. Não quero nem tenho intenções de abandonar, mas os questionamentos acerca dessa possibilidade existem, visto que acontecem coisas que os despertam.

Não há perfeição em ser algum, mas há seres com defeitos que podem ser ignorados, isso eu acredito, aí há uma ‘ilusão’, com aspas, pois se os defeitos são reconhecidos, a perfeição não pode ser atribuída. Há perfeição para determinados seres. Há problemas e sustentabilidades sem base, há verdades colóides.

Eu gostaria muito de tentar, um dia ignóbil; um dia onde cada colorido fosse apenas branco, ou preto. Onde muitos me julgariam e eu daria sorrisos sinceros, abraços carinhosos e elogios amigáveis. Talvez devêssemos tentar, leitor, que tal?

É complicado exigir, quando não cumprimos o que prometemos, é complicado e inútil culpar-se, pois isso, de forma alguma, resolve problemas, reconhecer e agir, é a melhor ação, nesses momentos. Talvez eu esteja sendo seco demais, e agora eu deva retomar ao mote dessa escrita. Sim, há unidade, unidade constituída de diversos agrados e desagrados, aspectos mutáveis e imutáveis, mas, ainda assim, unidade.

E é por isso que eu continuo caminhando contigo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sobre pessoas e julgamentos




                  É difícil entender, creio, mas todos nós julgamos cada aspecto da vida na qual estamos metidos. As ‘questões de escolha’ não são nada mais que julgamentos feitos por nós, medimos, pesamos, atribuímos valores e julgamos. É assim que tudo acontece. Como não julgar ou julgar de forma justa? Ninguém pode dizer exatamente, pois todos temos um senso de justiça próprio, e dizer que não se deve julgar, às vezes, é hipocrisia. Analisar os fatos, ver com seus olhos, reais ou banhados de névoa, é necessário, e muitas vezes, complicado. Não que eu tente ser prolixo ao falar desse assunto, já que demasiadas palavras nunca vão explicar os sentimentos atribuídos a essas afirmações.

                Como reivindicar o não-julgar quando você julga que te julgam para poder afirmar isso? É mais simples pedir que os outros não julguem já que você já julgou que te julgam. E é mais simples você direcionar o julgamento, sim, é mais simples, pois julgar um pelas atitudes dos outros é algo socialmente intrincado, sempre há necessidade de um bode expiatório, e nem sempre analisam o ocorrido de forma adequada. Talvez julgar não seja tão ruim, desde que, a partir do momento que julgamos com nosso próprio senso, não usemos disso pra atacar o outro.

                Julgar é natural das pessoas, e ter medo de julgamentos é complicado, quando você faz por onde. Se tiver a consciência de que aquilo não é algo a ser julgado e for julgado mesmo assim, por outrem, é tão mais simples ignorar, rir e se divertir do que se incomodar e acabar perdendo o controle por momentos. Mas eu lanço uma questão, caro leitor. Quem sabe você não tenha tantos julgamentos de si próprio que, nas atitudes e momentos que julga ser julgado, você não está julgando a si próprio, só que direcionando a fonte desse julgamento a outrem. Você não está culpando outro pelo julgamento que faz de si mesmo?

                Sim, eu sei, pessoas são complicadas, leitor. Mas descomplicar não é tão difícil assim, e claro, é difícil ligar o ‘foda-se’ pra pessoas específicas, eu mesmo, não consigo pra algumas pessoas. Mas pro resto todo, julguem o quanto quiser, o dia que isso for me limitar de alguma forma, é só porque me importo com quem me julgou, se não, não mais.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Convite ao grito



    E mesmo que o tempo passe e a vontade de descrever tudo, contar detalhes e distribuir cartazes de felicidade possam me afligir, eu esqueço. Paro, penso e sinto. não sei como lidar, nem nunca soube, aprendo a cada segundo, algo novo, vivo situações novas para as quais não me preparei e erro, leitor, assim como todos erramos sempre, várias e várias vezes.. e me alimento, de erros, de esperanças de acertos.

    Não, não que minha busca seja melhor ou pior que a busca de outrem, não que eu seja um ser humano melhor ou pior, mas deixo fluir... e me construo. Pedir ajuda não ajuda. Procuro caminhos e soluções e agradeço minha mania de resolver tudo sozinho, não, eu não posso consertar ninguém, eu sei, mas eu tento dar meios para que consertem a si mesmos. E retomo várias e várias vezes o assunto até que eu provavelmente me dou conta de que posso estar sendo ofensivo. É, leitor, a vida não é fácil. E creio que essa escrita também não, pois prediz algo longo, algo que dói e machuca. Sim, machuca.

    Transparecer, sim. Ser invisível por alguns momentos, estendê-los por dias, hora após hora, talvez, esperando que sintam que você sumiu, e você sabe que talvez sintam, mas não o faz, pois tem medo de que nada aconteça, talvez você até mesmo esqueça de voltar ao normal. Não, você não quer magoar ninguém, leitor. Você quer ser parte, se abrir, jogar o jogo, amar, sorrir, se entregar, e deixar que tudo isso seja correspondido, sim, você se entrega, mas como perceber que outrem também o faz?

    Então você percebe, analisa cada fato, cada momento e parece que tudo tem um objetivo em comum, que você corra de volta pro seu mundo depressivo, que bata cada porta que abriu com tanto esforço, para as quais, chave não há. E você tenta, mas olha pra trás, vê tudo que tentou construir nesse tempo, curto, talvez para outros, para você, aproveitado e rico. Cada olhar seu, cada tentativa é um grito de socorro, você é engraçado, leitor, você é compreensivo, mas você grita, com olhos, grita com a mente, pede ajuda, e, às  vezes, saem traços, vestígios, do que você sente. E isso tudo, machuca. Como todo bom machucado, você cuida, tenta fazer com que sare, vira braços e abraços, carinhos, amores, e cuida. Até que tudo atinja algum ponto específico e você se recolha a gritar com olhos novamente.

    Você tenta, leitor, tenta, nós sabemos. E cada segundo te parece mais um fracasso, mas você não desiste, quer ajuda, mas parece que não a tem, tudo que diz se torna alvo de repreensão própria por outro. Mas você não tenta atingir dessa forma, tenta? Não, sabemos que não. É, leitor, aonde estão meus sorrisos?
    Não expressar, não exaltar, não brigar. Direcionar pra outro foco, isso você faz com maestria. E pede, conversa, age, simples, calmo, carinhoso, amoroso, e funciona? Só o tempo dirá. Talvez seja mesmo a hora de transparecer e ver se sua falta é real ou verbal, se o colorido é permanente ou lavável. Talvez, outrem já esteja fazendo esse movimento, já que as tentativas anteriores não deram certo.

    Sim, você tinha decidido aceitar o que fosse, entender cada aspecto, compreender que não existe perfeição para o mundo, mas sim, aquela pra determinado ser, e então, você percebe que suas tentativas parecem estar distanciando mais. E agora? Leitor. Você só espera a sinceridade que dispensou até o momento.

Vamos gritar.

sábado, 2 de julho de 2011

Foco, rumo e a chuva

     Dias chuvosos sempre são interessantes, exceto quando duram muito tempo. A chuva é um espetáculo, não lembro de ter dito dessa forma; são aqueles milhões de gotículas caindo e aos poucos envolvendo cada molécula do que tocam... Será a chuva uma metáfora do amor? Não o sei, pois definir ambos é complicado, podemos nos ater a uma explicação simplista e questionável desses conceitos. Creio que sim. Mas não acredito que o assunto seja interessante ou adequado a esse momento, talvez falar da falta ou dos humanos que a sentem ou pelo que sentem é mais plausível, mas não o faço. Nem um nem outro.

     É complicado entender, principalmente quando o que se tenta entender não está em você e sim no outro; entender as reações e palavras, as verdade e inverdades, o real e o simulacro, complicado quando só há um lado dessas reações e palavras, se quase todo o tempo só há verdade, real, pura, explícita. Muito melhor, verdade, já que dessa forma você não precisa primeiro 'adivinhar', é, tão somente, entender. A compreensão é algo tão fluido, os diversos entendimentos dependerão da maneira como se colocam as afirmações, linguagem não dá conta, nunca, e é possível que a odiemos por alguns momentos.

     Será o amor, feito de linguagem? Não me atenho a esse ponto, pois não é meu foco hoje. Parece óbvio que o sujeito na linguagem 'criará' e fará usufruto somente do que nascer no seio dela. Mas esse não é o foco, álias, não sei o foco, hoje. Talvez não houve nenhum desde o início, ou poderia acontecer de o foco não me agradar e eu tentar mantê-lo só na linguagem mental, quem dirá?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Linhas num tronco


Falar do sentir é complicado, sentir é experiência, viver em si, não vivência. E dizer o que do sentir esmiúçado em parcas poesias, em pobrezas literárias, cheias de sentimentos falsos, rótulos e clichês. De fato. Me ocorrem duas ou três palavras pra dizer o que quero, mas reduzir esse todo a um rótulo, a um signo, palavra, arbitrário, sem sentido, não faz. Não o é.
A linguagem não é suficiente, não é em si, nem me é, não me escrevo, e com certeza, não 'excrevo'. Subentende-se conceito. Pensar não é fazer, nem agir, é viver, vivência. Sentir é experienciar? Não sei, não tenho intenção de discutir isso. Tenciono sim, desenvolver virtudes, não, não, descobrí-las, mas, me perco no caminho, é sempre assim. Retorno com pedra, mas não pepitas, preciso de alguém que me acompanhe e com quem eu possa ter uma boa conversa. Sim, sim, agora caminho novamente, traço o mesmo plano, não sozinho. Sigo minhas próprias pegadas e conto uma estória sobre cada uma delas, divertida, triste, com moral, ensinamento e também para passar o tempo. O caminho é longo.

Às vezes, uma semana de quatro dias fora, longe do querer, sentir e pressentir, do preocupar, apesar das preocupações, é tempo suficiente para refletir todo o caminho já percorrido, mesmo que esses dias sejam somente cada um de nós num lado da estrada, leitor, cuidando dos ares e buscando um pouco de calor do sol, com tempo e respiro mais folgado. A estrada é longa, mas estreita, e eu aprendo a esperar.

De novo, procuro espinhos nos girassóis que olham pro sol a pino, e depois de me espetar, percebo que eles nunca tiveram espinhos, a dor que senti foi simulada, pela minha própria cabeça em processo de recuperação. Cacos que cato no meu lado da estrada, servem somente para que eu me corte sem querer, ou querendo, sem saber. Mas dou bom uso a eles, depois, traço duas ou três palavras e faço o mais belo dos poemas, o curto; pleno de significância, e significado, pois não o tem, ao ler se preenche, pois formo de signos vazios, e bordo bordas com morfemas zeros antigos, daqueles que pus no bolso quando começamos a caminhar e que eu tentei partilhar. Claro que você, leitor, os destruiu, assim como o silêncio.

Não são as poucas e ralas lágrimas de medo que farão com que eu deixe de ter motivos para que surjam muitas e pesadas lágrimas de felicidade, de contento. Vejo novos trechos a frente, não tem cacos, não tem flores, ainda, pois eu e você, leitor, semearemos isso tudo, enquanto passarmos por lá, a beleza sempre será a que fica, pois, a que virá, depende sempre do quanto estamos dispostos a ceder ao que era. Não vou parar pra construir uma cabana na beira do trecho mais belo, pois nunca sei qual é; Vou continuar sempre o buscar, pois sua companhia, leitor, é agradável, e nosso papo, virtuoso.

Ai de quem disser que isso não funciona, tristes criaturas.


Saudades.




terça-feira, 24 de maio de 2011

Aprender e fugir.

É, leitor, a vida são voltas e revoltas. Não será necessário, contudo, dar voltas literárias. Nem me esticar em períodos longos. Dúvidas. Tenho certezas, sim, eu as tenho, tenho dúvidas, também. Enxergo uma constante, até nos sonhos, mas agora, meu x pode virar π. Sim, é um valor, que não se escreverá certo, nunca. Odeia-se viver em fluidos.



Minha busca era nefasta, um tempo atrás, na verdade, não havia busca efetiva. Não buscava coisas, não buscava pessoa, mas, na vida, acontece. E encontrar coisas ou pessoa poderia ser realmente incrível, e é, e foi. Passado, não, ainda. Queria gritar, hoje, quando olhos viram mais um dia. Cadê meu sol?! Leitor, se aqueça, vista seu casaco.



Foi assim, a dor do coração era cruciante, corroía, dissolvia. E esse processo, sempre tão ruim, consumia uma energia vital pura, consumia essência. Geralmente, normalmente, tudo fica quente, no coração, e você sente a epiderme congelando. Nesse dia, nesse respirar novamente, consciente, era tudo diferente, eu sentia calor, no exterior, mas meu coração era gelado, frio. Vivência ou experiência?



Esse dia, até o momento, foi um dos mais intensos, cada caminho pareceu mais longo, e a vida no mundo parecia ir cada vez mais devagar. Houve tempo pra pensar, pra refletir. Será que a dor anterior a tudo isso, valia mais a pena? Será que o viciar em dupla é saudável? Normal o sei, todos o fazem, mesmo que, geralmente, por pouco tempo. SOL.



Por que eu tenho que sentir tudo antes? Por que existe uma semana de atraso em tudo isso? Não nos encontramos no tempo certo? Já não sei, hoje é dia de questionar. Menos o sentimento uno. A única constante real nisso tudo é aquilo que não deixou, hoje, esse coração claudicante congelar.



Peço socorro por pedir que me use como apoio, quando eu mesmo, acho que não o faço. Aprender a errar juntos, e toda semana, aparece mais um obstáculo, mas, até agora, nada assim. Sinto, ás vezes, que são subterfúgios que usa, pra que eu me afaste, mas isso não funciona.



Se só amor é suficiente para que haja felicidade, então largo até minhas roupas e deixo de comer, os dias que eu sobreviver assim, se forem repletos de amor, valerão a pena.



Quero continuar segurando sua mão sob o sol, leitor.

sábado, 14 de maio de 2011

Meio do avesso




Link da notícia de onde tirei a imagem, leiam ^^


Bom dia, leitor. Como tem passado? Muito bem, espero. Os dias tem novas cores, já contei isso aqui, uma vez, são sete, e subentende-se a mensagem. Hoje eu gostaria de atentar ao fato de como seu estado de espírito influencia na maneira como as pessoas te olham, nos olham. Se você está triste, te olham torto, se está feliz, te olham torto, se está normal, despreocupado, te olham torto, mas, ué, não era pra diferenciar? Sim, sim, leitor, mas perceba as nuanças desse torto. Olham-te torto por estares triste, pois se sentem melhores que você, para que você perceba que te olham torto, e sorriem, falam de coisas boas, mas não com intenção de te confortar, e sim, de despertar inveja. Miséria, sempre miséria. Olham-te torto por estares feliz, pois te invejam, desejam que você tire seu sorriso idiota da cara, que se dê mal, pois se sentem diminuídas, falam de desgraças, de coisas desagradáveis que podem te acontecer, são pessimistas com intuito de te entristecer, e assim, poderem se sentir melhor que você. Mesquinharia, sempre mesquinharia. Olham-te torto quando você não está nem aí, pois você parecerá seguro, confiante, isso mata as pessoas que te olham torto, elas dissolvem na sua própria inveja, desejando sempre ser como você, nesse caso, nem abordam, nem conversam, ignoram, com intuito de que você as note. Insegurança, sempre insegurança.

Talvez pelo meu estado de espírito dos últimos tempos eu não deveria abordar tema tão controverso baseado em minhas próprias impressões, mas, talvez por isso mesmo, eu deveria. A realidade está aí e nada deve me impedir de vivê-la, meu pé no chão me serve, sempre. Fantasiar não é necessário quando a realidade já parece conto de fadas, mas talvez um conto de fadas tolkiano, com requintes de realidade, descrições detalhadas e detalhes descritos. Vivo esperando sempre o amanhã e estar ao lado de, é sentir saudades, fortes saudades. Agarro-me em pequenos pontos do meu cotidiano, penso em diversas coisas, mas sempre me volta à cabeça uma só, e sorrio bobo, feliz, como nunca fui. As pessoas me olham torto, por isso. Sabe, leitor, quando dizem que te botam ‘olho’ ou ‘quebrante’, são crendices populares, eu sei, mas faz tanto sentido, qual outro motivo me traria pensamentos ruins de épocas ruins da minha vida quando a cada minuto, a cada momento que vivo, só tenho motivos para estar feliz? Eu penso demais, eu sei. Mas dois ou três esforços e uma benzedura bem forte me ajudaram nesse aspecto, não agradeça, não agradeça. Penso e vivo, vivo por mim, vivo por outros, vivo por viver. Palavra não tão bonita, sentido muito mais.

Talvez eu me alonguei nos períodos de hoje, mas foi necessário ser assim, não dar tantas voltas, correr em volta, não corro atrás, não é necessário, cada direção que eu correr, vai ser sempre na mesma que você tiver correndo, leitor. Sempre acabaremos nos encontrando no meio do percurso, como num desses filmes avessos, de super-heróis. É, eu descobri que existem coisas que nos deixam felizes somente pelo fato de existirem, sorri bobo e me invejaram, me olharam torto, atravessado, com ódio até, acredite, mas fiz o que a minha mãe sempre me ensinou, sorri, cumprimentei e deixei todas essas pessoas sem jeito, quem sabe assim elas consigam perceber que eu também tenho direito.

Falando em sem jeito...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O dia perfeito





Talvez a resposta seja não procurar respostas. Essa poderia ser a resposta para a pergunta “Qual o sentido da vida?” Não? Leitor.. Esse é mais um dia quente entre os dias frios que vivi, frios em tudo, até nas cores que o sol irradia. Hoje não quero falar do sol, ele brilha constantemente e eu posso apreciá-lo diversas vezes, mas, como apreciar o sol? Há diversos motivos para, maneiras como, mas, alguma está correta? Sinto muito, leitor, também não sei a resposta dessa pergunta...

A lua apareceu. Aquela mesma que se escondeu, não mostrou o seu brilho simulado, não refletiu nem produziu, só esteve presente por atração... Ela apareceu, e foi num momento inesperado. As cores da tarde já se desenhavam entre tons de azul, rosa, ciano, amarelos e verdes, numa mistura obra prima... e o mar refletia o sol de forma tímida, como com medo de tocar... E a lua apareceu.. Grande, brilhante, com tons de branco, bege, amarelo e rosado.. rosado? Não, leitor, eu é que tenho visto rosa em tudo... problemas? Não sei, talvez sejam motivos diferentes, e bonitos como o rosa.

Refletia no mar, foi o que surpreendeu, roubou tento, e aqueceu o coração, será mesmo a lua? Talvez, apareceu no momento certo, anunciando, você sabe, leitor, a lua anuncia... o dia perfeito. Mas essa lua era um pouco mais sincera e intensa, essa lua, anunciava algo diferente de um só dia perfeito, não sei mensurar pois não vejo o futuro, só vejo dentro de mim e o 'momento já', que me escapa. Clarice, me ajuda a buscar meu 'momento já'? Escapou novamente..

Não importa, minha vida pode ser lida de forma radial, pois sou literatura enquanto me escrevo; meus 'momentos já' só nos são conhecidos, você, leitor, pode apreciar. Não consigo mais diferenciar minhas tintas, todas parecem tons de rosa.. mas.. por quê rosa? A lua continuou brilhando, e se foi, naquele dia, anunciando voltar em breve, corroborar, reiterar, reforçar o sentimento.

Dedico a alguém que tem amor no nome..



Tô numa fase Sandy & Junior.. '-'

sábado, 16 de abril de 2011

O calor da tua mão





Caro leitor, hoje, eu não gostaria de dar as habituais voltas, nem ser tão direto e claro como tenho me cobrado ser, talvez porque seja necessário tentar algo novo, me esconder nas palavras e me mostrar mais pessoalmente, ou talvez seja porque já o faço. Mudanças são sempre bem vindas, ou não? Não sei a resposta, e admitir não saber é como me propor sentir uma dor, me torturar novamente. Talvez pelas palavras que sempre me revelaram aqui, seja nas alegorias ou nas construções, eu não me fiz, eu só me escrevi. Fazer-me necessitaria de um pouco mais do que palavras, mas nem toda construção alegórica dá conta, ela sempre será caricatura. Alô, metáfora.

3.987.654.236,5 ¹² perguntas surgem na minha cabeça a cada segundo, humanamente impossível. Talvez eu deva me ater a alguma que eu possa responder, mas não, só me intriga a forma de chegar lá, não a chegada em si. Como é possível sentir tanta falta de alguém? Isso não pode ser respondido, alguém aí sabe? Leitor? Faço meia pergunta. Procuro contar estrelas e me pego pensando, em quê? Não, pergunta errada, em quem? Sinto medo.

Como medir a intensidade? Não me venham com fórmulas físicas, não me venham com balanças e aparato tecnológico, muito menos com baboseiras espirituais, não se pode mensurar sentimentos. Tenho a cabeça dura, eu sei. Mas mesmo que ela seja assim, não significa que é impenetrável, mas disso você já sabe. Preciso de ajuda, mas de uma ajuda específica, você sabe? Leitor? Peço socorro, mais uma vez.

Não é que eu queira me sentir mal, não, eu não preciso disso novamente. Nem sinto que o mal me acometa por estar longe, mas, mal me faz pensar nisso, pois aí a intensidade age, e vai corroendo. Conversa comigo? Não fique com essa expressão no rosto. Procuro um pouco mais do brilho, o meu apagou?

Compreendi, temos medo, ambos. Mas faz assim, eu seguro a sua mão e você segura a minha, podemos enfrentar isso juntos, ou, ao menos, tentar. Eu não largo, não afrouxo, corro se tu correr, choro se tu chorar, sinto o que tu sentir, mas, por favor, o que você sente? Eu penso demais nisso tudo, e essa é minha maldição; será que, como nos contos de fadas, um beijo resolve tudo? Ou essa seria só mais uma alegoria em que as ações é que fazem acontecer?

Ao mesmo tempo, não precisamos esperar um pelo outro...

Segura minha mão que eu seguro a tua.




Não lembro se já postei essa música, mas ela tá aí pra ilustrar tudo que eu disse :)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Pelo direito de sentir



Eu sempre odiei títulos como esse daí, reivindicações me revoltam. Não sei o porquê desses elementos sempre confluírem de tal forma que me rendo a pequenas gotas desse drogar literário. Mas hoje não é um dia especial, e talvez por não ser, o seja. Hoje, o sol não brilhou pra mim, ele estava escuro, culpa minha. Não, não me desculpo, mas me culpo internamente, e também reivindico o direito de me desculpar pelo indesculpável. Ninguém tem culpa de sentir, tem?

Eu sempre pedi socorro e gritei mudo, me tranquei em 3 níveis, somente agora abri 1 das portas, e perdi a chave, ou roubaram? Não gosto que me vejam como alguém triste; ei! Leitor, olha lá, aquela pessoa sorrindo, feliz, parece uma boa pessoa, não? Simpática, alegre, queria ser amiga dela. Ei.. leitor, olha ali, que cara pra baixo, deve ser um chato, idiota, que fica se lamentando. É, leitor, me repito, isso tem acontecido muito, não? Pessoas não gostam de gente triste. Talvez a amizade seja pra isso, pra podermos compartilhar nossas alegrias, mas, e as tristezas? Dizem que quando aparecem, se os amigos sumirem, é porque você estava sozinho. Aí eu pequei, talvez.

Guardo todas as tristezas pra mim, isso é egoísmo? Não compartilhar tristezas? Eu sempre acreditei que não, mas, será? A dúvida me surge de tempos em tempos, guardar tudo pra mim dói, aperta, você sabe como é isso, leitor? Talvez faça mal ao coração, não, tenho certeza que faz mal ao coração, sinto como se ele estivesse sendo lentamente digerido por um ácido, mas me acostumei com isso, sou um tanto sádico. Cansei de sorrir quando não o quis fazer, cansei de deixar de sentir, cansei de abdicar dos meus direitos como ser humano, como ser que sente, como ser que vê, que pensa, que ri, que chora, que grita e que pede socorro.

Meu medo maior é compartilhar tudo e descobrir que nunca tive amigos, e agora, com isso tudo aqui escrito, talvez, aqueles que tenho, se ressintam, pois não consegui os confiar o meu eu. Cansei de pensar demais nisso tudo. É, estou cansado, me sinto velho, incapaz de amar, sorrir, chorar, gritar, sem fôlego de vida, mas, leitor, tenho que contar, estou tentando... Mesmo que só tenha me sobrado no peito uma sombra do que já esteve ali, alguém poderia me ajudar a recuperar? Tratar das feridas, zelar, ou isso é tarefa só pra mim? Que já me mostrei tão incapaz esses anos todos...

Me escrevo, não descrevo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Novas tintas















Leitor, hoje é um bom dia, mas somente porque depois de vários dias ruins, algum teria de ser bom; Por que tudo tem que piorar antes de melhorar? Já passou por momentos assim? Creio que todos já passamos. Alguns momentos das minhas madrugadas são destinados à filosofia e eles têm sido proveitosos, me assustam, mas esclarecem diversas coisas. Talvez fosse necessário reexaminar toda trajetória dos diversos dias em que me engajei na luta contra mim, contra minhas restrições impostas em determinados estágios da vida. Talvez fosse necessário queimá-las.

São diversas dúvidas, é claro, e nenhuma tem resposta exata ou direta, você tem medo também? Eu tenho, sou sincero, mas tento não me acovardar, ta na hora de enfrentar as dificuldades e ser feliz, feliz, feliz. Somos plenamente felizes? Não, são momentos, momentos de felicidade, me repito. Passo por agradáveis horas, passo da hora, passo e penso, e não quero passar, quero continuar. Oi, estou aqui. Me dá um abraço?

Quero ser proclítico, e meus verbos dizem respeito a mim, só me faço ser por eles, e dane-se a ‘performatividade’. Esperas longas valem a pena por uma ou duas palavras ditas, não-escritas. E ouvir é tão interessante, as vozes se entrecruzam na minha mente, ou talvez seja só eu atribuindo sentido, não seja racional, não seja. Viva! Pule! Ou Dance sozinho no quarto, mas não ‘deixe de’. Faz sentido insistir no começo, vale sempre a pena depois.. Cada dia é um dia diferente e estar confortável é essencial, não deixe interferir, deixe fazer parte.

E o som do meu celular tocando dispara o coração, as borboletas no estômago parecem morcegos, e eu me sinto criança, mas crianças não controlam impulsos, controlam? A espontaneidade é uma coisa maravilhosa, odeio me policiar tanto assim, e você? Leitor..

Cansei das minhas metáforas, mas são tão bonitas pra esquecer que existem, que pena. Mas ser direto é essencial em alguns momentos, ou você se deixa levar pelo canto da sereia. Vou abrir a mente e os ouvidos de Ulisses, e vou pular na água também, quem sabe eu não caio em Nárnia mesmo não tendo anéis. Esse é um bom dia, nos outros que foram ruins, tive bons momentos, tão específicos, mas tão bons, que será isso? Que será isso? Desconheço essas novas cores, meus dias esbranquiçados começaram a borrar com tintas vibrantes, não sei que nome dar a essas cores, não sei, alguém me conta?


Alguém me conta?


terça-feira, 22 de março de 2011

Morfema zero do sol


Cotidiano é uma coisa incrível, odiosa também, creio eu. Talvez o leitor atente a acidez dessa frase inicial, mas não é o caso. Os dias correm, passam, perpassam, acho que já disse isso, também que se arrastam, mas há momentos ou elementos que surpreendem, bons ou ruins. A vida é cheia de surpresas... Eca, clichê! A vida é previsível, ok?



Leitor, pense suas escolhas, elas são aleatórias? Elas levam a consequências inimagináveis? Não. Se sim, você não é humano ou pelo menos, não muito. Álias, quem é? São os significados que nos movem, são os momentos que se desdobram cheios de arabescos e flores e cheiros e cores e sons e, e, e... São momentos que geralmente perdemos, a pressa acaba com a sua vida. Quero meu tempo de volta.

Vamos olhar o céu hoje? Vamos, tá chovendo... E que espetáculo mais belo que é a chuva, veja em câmera lenta; não, não filme a chuva, veja em câmera lenta.. não consegue? Pois é, a pressa acaba com a sua vida. Queremos nosso tempo de volta.

Os dias últimos podem ter sido recheados de significados, daqueles que nos movem, mas até agora eu me sentia estagnado, o peso no estômago não é fome, é medo... do futuro. Talvez a sina do poeta seja não ter aquilo sobre o qual se escreve, então instituo uma lei, nunca escreverei sobre amor. Vou escrever sobre ódio, sobre desavenças, sobre a miséria humana, para não tê-las, vou escrever sobre solidão, e talvez acabar com a minha.

Se não funcionar, encho minha mochila de sorrisos e abraços, e os distribuo, corroboro a imagem que simulo terem de mim (simulo?), conto "umdoisetrês", aonde foram todos? Não se engane, leitor, eles nunca estiveram aqui mesmo.

A felicidade não existe, somente fragmentos dela, muitos conseguem, sozinhos, colar esses pedaços, ou costurá-los, ou tramá-los, a felicidade existe em diversos formatos; cada um faz sua colcha, monta sua obra, constrói a sua casa, pinta seu quadro. Eu, das diversas habilidades que possuo e posso desenvolver individualmente, essa, a mais importante, não creio possuir, nasci deficiente, preciso da ajuda de alguém pra misturar as tintas, pra dar os tons, ou o que me sobrará... será sempre o morfema zero do sol.



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Apenas sentimentos coloridos...




E a madrugada continua tingindo o céu de um azul-escuro arroxeado enquanto eu continuo teclando essas inertes teclas que ganham movimento à medida que a força do toque de meus dedos cai sobre elas. Talvez seja somente mais um suspiro de cor que tinge uma das inúmeras feridas que destroem lentamente meu coração, mas pode ser a continuidade de um sentimento colorido que nasce tímido; de veios azuis claros em meio a um corpo verde água, mas que ganha tom e força, ao verde bandeira, ao azul turquesa.
E componho:

“Saudade dos tempos em que meus pensamentos verdes eram vivos, mas que agora se tonalizam de um amarelo pálido, sem tons diferenciados e morrem em um marrom enegrecido.”

Por que o amor cria feridas? Se o próprio amor é o anestésico... Por que fere?

A cura é o coração que o coração deseja, que por paixão ele almeja, com rimas pobres e sem graça, mesmo que cada sonho termine em... São só cores de sentimentos que colorem o vazio noturno, sentimentos que seguem soturnos, pelos corações desatentos. Conhecimento tido por inútil, mas que o coração atinge dos que não são fúteis. Sentimento, sentimento.

E o leitor há de dizer que o amor pegou seu cronista, mas saberá no fundo que a desgraça é a rima, que corre, devagar, porém livre, entre as cores que aquecem a face com mera menção do sentimento. E aquele que ler desatento, essas linhas tortas, sinuosas, que enganarão alguns, mudará outros, terão que desviar o caminho, da cabeça e do coração, pelas passagens coloridas pelas quais não passam sem que lhes segurem a mão.

Meus sentimentos foram verdes, estão amarelos, quiçá alguém virá e os colherá, aproveitará o sabor que ainda perdura por mais um tempo e replantará a semente do fruto dentro do seu próprio coração.






R.R.Neto

(saudades da geração Sandy & Junior, sem funk e sem axé)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pílula Anti-misantrópica


Se há uma grande mentira é dizer que o ser humano é bicho sociável, que não vive sozinho, precisa de outros seres humanos para viver. Só se a necessidade principal for sentir-se o centro do universo.


Leitor, você tem características antropofóbicas? Quero dizer, tem alguma aversão a seres humanos ou a humanidade em geral? Acho complicado responder a esta pergunta, simplesmente porque temos aversão de tudo e todos até que nos conquistem, provem seu valor, não? Não. Muito afetados leitores dirão que ninguém é culpado até que se prove o contrário. Besteira. Todos sabem que, no fundo, é óbvio que desconfiaremos sempre do mordomo com o castiçal na biblioteca. Não digo que somos paranóicos, leitor, nós somos, todos somos, sem exceção. Desde a desconfiança da criatura que pergunta no meio da rua “Que horas são agora?” até a atendente novata da loja, que errou dois reais do seu troco (“tá me passando a perna, safada").

É, leitor, somos doidinhos, ou não? Só são doidos aqueles que estão internados nas clínicas psiquiátricas (no português “bem dizido” manicômios ou hospícios)? . Leitor, leitor, Ah! Leitor; pudera eu dizer as loucuras que cometemos todos os dias, algumas até perigosas para os outros, mas continuamos aqui, na nossa casa, com nossas coisas, achando que o mundo gira para que possamos apreciar o sol e a lua. O que você faz para “fugir”? “Relaxar”? “Curtir”? , Leitor. Pois bem dirás que grande parte das coisas que você faz, são feitas sozinhas. Até a saída para baladas, curtições, etc, são feitas sozinhas; você sai para SE divertir, não? Pois bem, leitor, discutirás ainda que somos todos bichos sociáveis, vamos cheirar rosas e admirar hortênsias, pensar em como podemos ajudar uns aos outros... Ah, contaremos outra história, diga.

De fato, estou exagerando, o leitor há de convir que sim, ou não? Leitor, Ah! Leitor... Nossos dias têm sido puxados, reconheço. Gostamos sempre de poder desfrutar dos prazeres individuais, e o mais simples, prazeroso, admirado pela humanidade, é o ato egoísta de dormir. Vamos dormir em conjunto? Um ajuda o outro a dormir, vamos dividir essa tarefa?

Tarefas, gostaríamos de dividi-las? Duvido, atualmente as pessoas têm empurrado as tarefas para que sejam feitas por outras pessoas, todos querem aproveitar a sua inteligência de ter alguém fazendo por si. Até mesmo nos relacionamentos! Incrível? Não. Os bichos homens estão delegando tarefas exclusivas, como dormir, para as outras pessoas, em seus relacionamentos. Namorados que deixam o amor somente por conta da sua menina; como há de se amar alguém assim? Terminam. Casamentos acabam, famílias se desmantelam... “c’est La vie”? Ninguém pode dormir a dois, ou ser um meio namorado, mas ultimamente, estão tentando provar o contrário.




Half-Boyfriend by Jay Brannan (ele só começa a cantar em 2:05, então pulem)







R.R. Neto

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O frio congelou nossos corações?




Calorosos leitores, a primavera chegou mais uma vez ameaçadora. Eu, que moro aqui nessas bandas do sul, mais uma vez assisto aos efeitos destrutivos da chuva. Não conseguimos ao menos ver as flores desabrochando, as árvores com suas novas folhas, sentir o calor do sol no fim da tarde. Só sinto o frio, esse vento frio, esse sentimento frio, essas verdades frias. Coração frio. Conhece esse sentimento, insensível leitor?

Esse sentimento frio, que consome, que destrói, ou melhor, desconstrói, é o amor... Mal compreendido, não correspondido, arrependido. Já tratei de amor algumas vezes, mas nunca dos problemas que traz. Já disse Camões, baseado na bíblia:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer; (...)

Pois o leitor há de concordar comigo que isto é a mais pura verdade. Amor queima dentro do coração e o consome, o vai destruindo, ferindo, enquanto queima a felicidade se faz presente, quando não consegue ser alimentado, apaga, e deixa a brasa incandescente, ferindo, doendo, sentimento descontente. Atualmente os leitores e seus familiares, amigos, colegas, vizinhos, seu círculo social, há de ver que as pessoas estão deixando de amar, deixando de sentir; estão sempre buscando alguma forma de ficarem bem, e amaldiçoando o criador do termo ‘ser feliz’.
Aonde se escondeu a felicidade que finjo possuir todos os dias, não vê ela que sou um bom ator, mas que ao conhecê-la poderia me tornar muito menos artificial? A felicidade é presença de momento, pois a desgraçada (!) não é onipresente. Essa ubiqüidade é falta significativa em nossa vida, concorda? Melancólico leitor. Já disse a adaptação frásica da música Virginia, dos Mutantes:

Bem me lembro de Janeiro
Quando o sol me deu você
Meu presente de ano novo
Que agora o frio levou...

E continuará a levar todos os amores, desamores, verdades, mentiras, paixões, solidões, o frio não levará só coisas boas, mas também as ruins; por isso temos de pagar o preço. Hoje a melancolia tomou conta da nossa conversa, leitor. Mesmo com a necessidade de uma conversa divertida, ela apareceu, como o frio aparece de repente. Teremos outras ocasiões para isso, quando nossos corações em frangalhos forem reestruturados e recuperados, mas que manterão as cicatrizes da guerra que travamos com eles. É com pesar que me despeço hoje de você, leitor, minha companhia semanal, que conversa comigo, quando a felicidade se faz presente.



Ps: A partir de hoje, eu e Kamila assinaremos nossos posts no final; muitos obtusos, porém queridos, leitores, têm perguntado e confundido qual post é de quem, se por acaso você tiver dúvidas, no final de cada post há o nome e a hora de quem postou. Também há o fato do estilo, que é claro, mas assim tiramos nossos desentendimentos, boa semana a todos.

R.R. Neto

quarta-feira, 22 de julho de 2009

‘Enigmando’

Muitas vezes eu me pego a pensando: “Como age a tal ‘paixão’?”. E não encontro uma resposta clara para isso. Caro leitor, como você definiria o conceito de amor? Claro, sim, bem, ‘well’, você acabará me perguntando sobre qual tipo de amor estou falando e eu acabarei respondendo que o amor é o mesmo, só o redirecionamos, não? Perdão, fui presunçoso.

Quero tratar especificamente das escolhas do amor, ou da paixão. Começo questionando: ‘por que as pessoas se apaixonam por estranhos’? É simples a pergunta, não? Mas, a resposta é simples? É simples dizer que nos apaixonamos por estranhos? Creio que não. Porém, ainda questiono.. Não seria mais fácil apaixonar-se pelo melhor amigo? Pela pessoa que conhecemos mais profundamente? Por que não casar-se com um melhor amigo? Eu ainda respondo estas questões assim como responderiam outras pessoas: ‘As pessoas se apaixonam pelo misterioso, elas entendem que devem estar com outra pessoa para descobri-la. ’

Santa burrice, diriam alguns, mas isso não é verdade? Creio que dessa forma nós acabamos nos decepcionando tanto em relacionamentos, pois chega uma hora que não há nada mais para se descobrir, então se perde a ‘magia’. Agora, por que isso não acontece com os melhores amigos que temos? Por que, afinal, depois de conhecer estas pessoas profundamente, não nos enjoamos delas, a magia não acaba? Aceito como resposta: “Nós não dormimos ao lado desta pessoa nem acordamos com o bafo matinal dela”. Sim, aceito como resposta, mas não serve como resposta, não, não serve. Desculpa que se esfarrapa; isto sim. Por que se apaixonam por desconhecidos e aceitam o bafo matinal deles? Ah há! Peguei você leitor, e agora, confuso leitor.

Embaraçado leitor, não desista agora do meu texto, ele hoje se confunde, não se entende, mas a paixão e o amor são assim também, não entendemos. Quero continuar meu questionamento e continuar minhas afirmações. O amor não seria mais fácil, ao aceitar os erros do outro / Me interrompa! Leitor! Diga para mim que o amor é aceitar também os erros e defeitos! / Mas amar aquele que já conhecemos, já aceitamos os erros e defeitos, não torna tudo tão mais simples? Já conhecemos as manias, os defeitos, os erros, as qualidades, que são tão boas.. E melhor! Pare para pensar, o que você procura nas pessoas? Nos desconhecidos? E vai acabar numa contradição, ou não, num curioso caso... Procuramos nos desconhecidos o que vemos nos nossos melhores amigos! Certeza leitor, minha absoluta presunção diz que muitas características que procuramos em outros, que achamos impossíveis de encontrar em uma só pessoa, já existem em alguns dos nossos melhores amigos.

Chega leitor, acho melhor cortar o assunto, você deve pensar que perdeu seu tempo lendo isto, mas acabarão por reparar melhor nos melhores amigos em como eles são quase a perfeição que você busca. E quando você encontra essa perfeição em outra pessoa, você se torna amiga dela e não o que você queria. Talvez isso se deva a um sentimento de incesto que acaba por barrar essa relação mais íntima com melhores amigos, talvez o medo de errar e perder a amizade daquela pessoa, mas, como diria alguém por aí, se não vale arriscar no amor, por que amar?


Perdi meu tempo.


(nova música no player)