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quinta-feira, 6 de março de 2014

Das exíguas lágrimas

Emudeço. Não sou sujeito e não me proponho ser. Adiante vejo somente um desvio e começo o retorno, então paro, e volto. Pego o mesmo retorno e me vejo novamente na mesma linha de giz da qual tirei partes com a ponta do pé. Não há leitor, não há. É dissabor, é contrição, pesar.

E mesmo que minhas janelas sintam, aflijam-se. São exíguas as lágrimas, pó e a causa; o meu padecer é imensurável e extingue torrentes de pérolas sabor água do mar. O vento que assovia meus ouvidos é o sopro da boca que me beijava, o grito do corvo é a voz daquele que declarava e o sol nos meus olhos é sonho com resplandecente face.

Quiçá passaria, mesmo que de forma sem fôrma, euforia, e traça linhas e trança corpos e destrói receptáculos. E reata e sara e cura e será, será ilude?

Leitor, sou apenas. E só.


E agora?




Futari warutsu no you ni ne mawarinagara
Egakidashite yuku mono

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Desconstruído



É de senso, provável fato, que o mundo se mostra em diversas composições. E mesmo que dentre essas composições estejam determinados tipos que você se identifica, nunca as características serão unas; sendo assim, é questionável a determinância de gostos e atitudes que você, leitor, executa.

Talvez misturar-se funcione para alguns, isolar-se para outrem, mas para outros, nenhuma das alternativas pode concretizar um desejo específico, tudo pode depender do meio. Tentativas e erros se entrecruzam numa sublime necessidade do específico. É nessa procura que as expectativas surgem, tímidas e inexpressivas, até que se frustram.

É pesaroso pensar que se deve repensar. A atitude em si já traz no seu âmago uma busca pela inconsciência, coletiva ou individual. Tentar faz parte de um conjunto de ações diferentes das comuns, talvez porque seja algo que nem todos se permitem. É dessa forma que se deprime a coletividade exaltando a individualidade, egoísmo.

De forma geral, o homem da multidão reaparece e extenua a mente, leitor, procura tentar, sem intento. Atenua a situação sem descobrir resposta, vive.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Linhas num tronco


Falar do sentir é complicado, sentir é experiência, viver em si, não vivência. E dizer o que do sentir esmiúçado em parcas poesias, em pobrezas literárias, cheias de sentimentos falsos, rótulos e clichês. De fato. Me ocorrem duas ou três palavras pra dizer o que quero, mas reduzir esse todo a um rótulo, a um signo, palavra, arbitrário, sem sentido, não faz. Não o é.
A linguagem não é suficiente, não é em si, nem me é, não me escrevo, e com certeza, não 'excrevo'. Subentende-se conceito. Pensar não é fazer, nem agir, é viver, vivência. Sentir é experienciar? Não sei, não tenho intenção de discutir isso. Tenciono sim, desenvolver virtudes, não, não, descobrí-las, mas, me perco no caminho, é sempre assim. Retorno com pedra, mas não pepitas, preciso de alguém que me acompanhe e com quem eu possa ter uma boa conversa. Sim, sim, agora caminho novamente, traço o mesmo plano, não sozinho. Sigo minhas próprias pegadas e conto uma estória sobre cada uma delas, divertida, triste, com moral, ensinamento e também para passar o tempo. O caminho é longo.

Às vezes, uma semana de quatro dias fora, longe do querer, sentir e pressentir, do preocupar, apesar das preocupações, é tempo suficiente para refletir todo o caminho já percorrido, mesmo que esses dias sejam somente cada um de nós num lado da estrada, leitor, cuidando dos ares e buscando um pouco de calor do sol, com tempo e respiro mais folgado. A estrada é longa, mas estreita, e eu aprendo a esperar.

De novo, procuro espinhos nos girassóis que olham pro sol a pino, e depois de me espetar, percebo que eles nunca tiveram espinhos, a dor que senti foi simulada, pela minha própria cabeça em processo de recuperação. Cacos que cato no meu lado da estrada, servem somente para que eu me corte sem querer, ou querendo, sem saber. Mas dou bom uso a eles, depois, traço duas ou três palavras e faço o mais belo dos poemas, o curto; pleno de significância, e significado, pois não o tem, ao ler se preenche, pois formo de signos vazios, e bordo bordas com morfemas zeros antigos, daqueles que pus no bolso quando começamos a caminhar e que eu tentei partilhar. Claro que você, leitor, os destruiu, assim como o silêncio.

Não são as poucas e ralas lágrimas de medo que farão com que eu deixe de ter motivos para que surjam muitas e pesadas lágrimas de felicidade, de contento. Vejo novos trechos a frente, não tem cacos, não tem flores, ainda, pois eu e você, leitor, semearemos isso tudo, enquanto passarmos por lá, a beleza sempre será a que fica, pois, a que virá, depende sempre do quanto estamos dispostos a ceder ao que era. Não vou parar pra construir uma cabana na beira do trecho mais belo, pois nunca sei qual é; Vou continuar sempre o buscar, pois sua companhia, leitor, é agradável, e nosso papo, virtuoso.

Ai de quem disser que isso não funciona, tristes criaturas.


Saudades.